Por Richard Waters, Financial Times, de San Francisco
A Microsoft , com sede nos Estados Unidos, lançará uma versão on-line gratuita dos programas do Office nesta semana, um marco decisivo para um de seus principais produtos, dentro dos esforços para conter a ascensão do Google Docs e de outros serviços na internet.
A decisão chega quase cinco anos depois de Ray Ozzie, chefe de planejamento de software, ter alertado para a necessidade de a Microsoft acolher a internet com mais rapidez.
Em discurso memorável, o executivo havia previsto que uma “ruptura nos serviços” estava para colocar de ponta-cabeça os negócios tradicionais de software da empresa e instou todos os seus programadores a tratar a mudança como uma questão de urgência.
Desde então, segundo especialistas, a companhia avançou de forma firme para agregar serviços que complementassem seus sistemas, mas deu-se por satisfeita em deixar que os demais ditassem o ritmo na “computação em nuvem”, que inclui o uso de aplicativos que rodam por meio da internet. “Não diria exatamente que estão se arrastando, mas definitivamente não estão indo rápido”, afirmou o analista David Smith, do Gartner.
Smith e outros analistas do setor afirmaram que esse ritmo reflete uma aposta calculada da Microsoft, de que poderia estender a vida de seu modelo de negócios atual, altamente rentável, sem sair perdendo em futuras oportunidades on-line.
“Eles simplesmente estão tentando preservar seus negócios existentes; é uma linha fina para se caminhar”, disse o analista Matt Rosoff, da empresa Directions on Microsoft.
Com a versão gratuita do Office, financiada por publicidade, e a opção de as empresas comprarem algumas das funções na forma de serviços on-line, o lançamento mostra que a companhia está “totalmente engajada com a [computação em] nuvem”, disse Stephen Elop, chefe da Microsoft Business Division, que obtém a maior parte de sua receita com o Office.
Elop negou que a Microsoft esteja lenta e afirmou que a empresa avança no ritmo que a maioria de seus clientes que querem continuar usando os sistemas tradicionais, enquanto começa a agregar mais aplicativos na computação em nuvem.
Apesar disso, o Office é “o mais exposto entre os dois principais negócios da Microsoft” à internet, segundo Rosoff. No ano fiscal passado, a divisão do Office foi a maior e mais rentável da companhia, embora o lançamento do Windows 7 tenha levado o sistema operacional de volta à liderança dentro da empresa.
Apenas cerca de 20% da receita do Office vem dos consumidores, afirmou Elop. Analistas acreditam que a empresa perderá somente uma pequena proporção de consumidores que optarão por usar o serviço gratuito.
“Há uma oportunidade para que vendamos mais”, acrescentou Elop, uma vez que a companhia tenta converter os usuários on-line em clientes pagantes.
Dave Giroaurd, gerente de aplicativos on-line do Google, diz ter detectado uma aceleração na adoção de seus serviços, com o aumento dos novos clientes pagantes para uma fatia três vezes maior do que representavam há um ano.
Fonte: Valor Econômico
Tags: office grátis